Queda no consumo de ração na granja pode ser alerta para qualidade da água

16 novembro 2020

Queda no consumo de ração na granja pode ser alerta para qualidade da água

Especialista da Trouw Nutrition destaca relação entre consumo de água e alimentos sólidos na produção de suínos 

O padrão de ingestão de água dos suínos pode ser influenciado por vários fatores, incluindo genética, sexo, idade, saúde e temperatura corporal. Diferentes fatores externos, como: queda ou aumento brusco temperatura da água, pH abaixo de 3, excesso de cloração (acima de 3 ppm de cloro livre na água) e níveis físico-químicos da água como dureza, alcalinidade, sólidos totais dissolvidos  presença de ferro,  também podem interferir no consumo. Quanto à qualidade microbiológica, a presença de coliformes totais e fecais, Escherichia coli, enterobactérias, fungos e leveduras podem causar quadros severos de diarreia nos animais.

O coordenador comercial da Trouw Nutrition, Josênio Cerbaro, ainda reforça o alerta para o nível da parte físico-químico da água:  dureza, alcalinidade, sólidos totais dissolvidos em níveis elevados que afetam a palatabilidade, causando repulsa dos suínos. Eles também podem ser responsáveis pelo efeito laxativo e interferência na eficácia de alguns medicamentos e desinfetantes. “No manejo de limpeza e desinfecção das instalações, a dureza da água influencia a capacidade de sabão e detergente em formar espuma, ocasionando incrustações nas tubulações”, lembra.

O pH, dureza, alcalinidade e sólidos totais dissolvidos em altos níveis na água demandam um grande gasto de energia pelo animal no processo digestivo. Em estudos realizados a campo comparando resultados zootécnicos de lotes abatidos no frigorífico, é possível perceber que os piores resultados estão relacionados às amostras de água que tinham perfil físico-químico alto e presença de contaminação microbiológica.

Segundo Josênio, o consumo de água está diretamente atrelado à fase de vida do animal. “Leitões em fase de creche consomem de 2 a 3 litros por dia.  Já durante o crescimento o volume salta para de 8 a 12 litros e na fase de terminação pode chegar a 20 litros/dia. A exigência é maior em fêmeas lactantes, as quais merecem atenção especial do produtor: o consumo varia entre 20 a 35 litros de água”, explica o especialista da Trouw Nutrition.

A atenção precisa estar voltada não apenas à qualidade da água e disponibilidade no ambiente, mas também à qualidade da ração oferecida. “A escolha de insumos, matérias-primas de qualidade, composição da ração e boa palatabilidade têm impacto positivo na ingestão de água. As instalações também podem ser responsáveis por alterações de consumo. É o caso de iluminação, temperatura ambiente, umidade, velocidade do ar (ventilação mínima/troca de ar), localização dos bebedouros, comedouros e quantidade mínima de ambos, assim como a vazão e a pressão da água”, alerta o coordenador.

Controle sanitário e gestão de qualidade da água, estão diretamente relacionados, pois contribuem para a redução do uso de antimicrobianos na prevenção de doenças, fato que hoje representa um desafio para o plantel.

“O consumo medido em metros cúbicos no hidrômetro da entrada de água no galpão é um dos indicadores para avaliar o desempenho zootécnico e o status sanitário. Os animais ingerem de 2 a 3 vezes mais água do que o alimento sólido. Ao perceber na leitura diária um volume de água inferior ao dia anterior, o produtor precisa redobrar os cuidados. Se os animais não ingerirem água na quantidade necessária, eles não comem o suficiente e, consequentemente, não vão atingir o ganho de peso diário como esperado. É fundamental tratarmos esse recurso natural com a devida importância, realizando monitoramento constante e evitando perdas, seja por vazamento ou contaminação”, recomenda o coordenador comercial da Trouw Nutrition.