Suplementação no período das águas: como mineral, proteica e proteico-energética impulsionam o desempenho no pasto

Na estação das águas, diferentes níveis de suplementação garantem melhor aproveitamento do pasto e desempenho superior dos animais.


Ramon Lopes Salvatte, Coordenador Técnico Beef da Trouw Nutrition


A pecuária brasileira vive uma fase de avanço consistente. Entre 2004 e 2024, a produção de carne bovina cresceu mais de 25%, alcançando 11,8 milhões de toneladas equivalente carcaça. Impulsionado pelo mercado internacional — que absorveu 2,89 milhões de toneladas no último ano — o setor amplia tecnologias e intensifica o uso estratégico dos recursos disponíveis nos sistemas a pasto, que ainda representam a base produtiva do país.


Embora o número de animais terminados em confinamento cresça desde 2007, eles ainda são responsáveis por menos de 20% dos abates. Ou seja: o boi brasileiro continua sendo majoritariamente um boi de pasto, e é na nutrição e no manejo das pastagens que se concentra grande parte do potencial produtivo nacional. Nesse contexto, a Bellman, marca da Trouw Nutrition, é referência em soluções para suplementação em sistemas extensivos e semi-intensivos, reforçando um conceito essencial: dieta é pasto mais suplemento.


A base de tudo: Pastagens bem manejadas

Proporção de forragem em relação a suplementação fornecida.

Ainda que se fale muito em tipos de suplemento, a composição real da dieta de bovinos em pastejo mostra que a maior parte dos nutrientes vem da forragem. Por isso, o primeiro passo para alcançar bons resultados é garantir pasto de qualidade.

A régua de manejo da Embrapa, que indica alturas de entrada e saída específicas para cada espécie forrageira, sintetiza diversos fatores agronômicos e nutricionais, como melhor ponto fisiológico e nutricional da planta, maior proporção de folhas, rebrota mais eficiente e maior acúmulo de forragem ao longo dos ciclos de pastejo.

Quando esse manejo é descuidado, os prejuízos são rápidos. Estudos mostram queda acentuada na taxa de ingestão quando o pasto atinge apenas 40% da altura recomendada de entrada. Nessa condição, o animal gasta mais energia deslocando-se, demora mais para alcançar sua ingestão máxima e reduz o tempo de ócio e ruminação com impactos diretos no ganho de peso.


Suplementação mineral no período das águas

Entre os suplementos disponíveis, o mineral é o mais básico e indispensável. Ele corrige as deficiências de macro e microminerais típicas de forragens tropicais, essenciais para equilíbrio metabólico, formação de tecidos, ativação de enzimas, crescimento e reprodução.

Porém, para que a suplementação mineral funcione, alguns pontos são fundamentais:

• Consumo esperado:
 O histórico da fazenda é determinante. Fatores como clima, palatabilidade, estrutura de cocho, salinidade da água e estado fisiológico interferem diretamente.

• Escore corporal: Minerais convencionais não recuperam rapidamente vacas magras. Para matrizes em reprodução, por exemplo, alternativas como o Bellisco SV — um mineral adensado com 20% de PB, 3% de ureia e ionóforo, promovem ganho moderado e ajudam a acelerar a reconcepção.

• Condição de pastagem: Nenhum suplemento “corrige” pasto mal manejado. Em áreas usadas como maternidade ou piquetes próximos ao curral, é comum encontrar alturas subótimas, o que agrava o balanço energético negativo de vacas paridas.


A lógica se aplica também às demais categorias, como bezerros desmamados, garrotes e novilhos precisam de produtos e manejos alinhados à meta de desempenho e ao tipo de forragem disponível.


Suplementação proteica nas águas

Os chamados proteicos de águas, por definição legal, devem conter no mínimo 20% PB e quantidade expressiva de proteína verdadeira. No verão, quando as pastagens tropicais têm teores elevados de proteína degradável no rúmen, a ureia aparece em níveis modestos, geralmente entre 3% e 5%.


A suplementação proteica gera um conhecido efeito de adição, o que melhora o ambiente ruminal, aumenta a degradabilidade da fibra, acelera a taxa de passagem e eleva o consumo voluntário de forragem. Na prática, mais pasto ingerido significa mais ganho.


Pesquisa de Sampaio et al. (2017) observou incremento de 0,158 quilo por dia no ganho médio diário na comparação com animais suplementados apenas com sal mineral, um aumento de 28%.


O fornecimento deve ser controlado (um a dois gramas por quilo de peso vivo), com espaço adequado de cocho e, preferencialmente, cocho coberto. O manejo em dias alternados reduz a demanda operacional sem comprometer o desempenho.

Proteico-energéticos: Desempenho elevado e mudança no comportamento de pastejo

Suplementos proteico-energéticos combinam proteína com alta oferta de carboidratos não fibrosos (como milho e polpa cítrica). Operam em níveis maiores de consumo (0,3 a 0,5% do peso vivo) e podem elevar o desempenho acima de 60% em relação ao mineral simples.


Além dos ganhos diretos, esses suplementos alteram o comportamento de pastejo. Estudos mostram que os animais passam a se dirigir ao cocho antes mesmo do fornecimento, criando uma oportunidade estratégica de ofertar o produto nos horários mais quentes do dia, organizando melhor o fluxo no pasto e liberando períodos mais frescos para o pastejo efetivo.


Esse tipo de suplemento, apesar de lembrar “ração”, ainda representa uma pequena porção da dieta total; a base continua sendo a forragem. O fornecimento deve ser diário, com 40 centímetros de cocho por cabeça e preferência por cochos protegidos da chuva.


Nos sistemas a pasto, o resultado da suplementação depende de uma equação simples, porém decisiva, que é a qualidade do pasto aliada a um suplemento adequado e ao manejo correto. Pastagens bem manejadas maximizam o consumo e permitem que os suplementos, minerais, proteicos ou proteico-energéticos, expressem todo o seu potencial técnico.


Entender o papel de cada categoria de suplemento, suas exigências de consumo, frequência e impacto no comportamento de pastejo é essencial para construir sistemas mais eficientes, produtivos e lucrativos no período das águas.